Síndrome da Resistência da Via Aérea Superior (SRVAS)

A Síndrome da Resistência da Via Aérea Superior (SRVAS) foi descrita pela primeira vez por pesquisadores da Universidade de Stanford em 1993. Eles descreveram um grupo de jovens mulheres e homens que se queixavam de fadiga crônica e sonolência diurna excessiva. Todos passaram por um estudo em laboratório do sono e curiosamente não cumpriam os critérios oficiais para apneia obstrutiva do sono. No entanto, tratando-os como se tivessem apneia, a maioria melhorava significativamente.

A classificação da Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS) e da SRVAS em diferentes síndromes ainda é controversa. Alguns autores as consideram como síndromes distintas e outros como parte de um espectro que inclui Ronco Primário, SRVAS, SAOS e Hipoventilação durante o sono.

Os pacientes com SRVAS relatam sonolência diurna excessiva, fadiga e “sono agitado”. Algumas pessoas atribuem o sono de má-qualidade ao estresse, insônia ou porque trabalham demais. O perfil psicológico deste grupo é caracterizado principalmente pela ansiedade. O ronco pode estar presente (porém não costuma ser intenso), além de boca sêca e cefaleia matinal. Predomina em adultos jovens, discretamente mais comum em mulheres.

Ao contrário da SAOS, onde você tem obstrução de vias aéreas, apneia/hipopneia e em seguida um despertar breve, os pacientes de SRVAS têm esforço respiratório anormal e pequenos despertares repetitivos à noite, especialmente durante o sono de ondas lentas.

O indivíduo fica incapaz de obter um sono profundo e restaurador necessário para se sentir revigorado pela manhã, além do próprio cansaço físico de tanto esforço ao respirar. Pense o que aconteceria se alguém cutucar-lhe com o dedo a cada poucos minutos, como você se sentiria na manhã seguinte? Pense sobre como você estaria após meses ou anos de sono insuficiente. Você se sentiria cansado, sem motivação para fazer qualquer coisa, com falta de foco, concentração e até talvez deprimido.

Na avaliação clínica observa-se um indivíduo com face tipo alongada, palato duro estreito e ogival e são notadas anormalidades em mandíbula e/ou maxila.

O exame de polissonografia (PSG), com os parâmetros respiratórios aliados à medida de pressão esofágica (“padrão ouro” no diagnóstico de SRVAS), torna possível constatar as variações dos esforços respiratórios e os eventos denominados RERAs (Respiratory-Effort Related Arousal).

O aumento do número de despertares breves à PSG associado à sonolência diurna excessiva não-explicada é altamente sugestivo de SRVAS.

O tratamento é amplo, tal como na SAOS, porém deve ser direcionado para a causa da síndrome, geralmente alterações anatômicas em nariz, palato mole, língua, palato duro, mandíbula e/ou maxila, com indicativo de correções cirúrgicas. A não intervenção pode, em longo prazo, levar ao desenvolvimento de neuropatia em vias aéreas superiores e SAOS.

O uso de CPAP é ainda amplamente utilizado como primeira escolha e às vezes usado como teste terapêutico, porém, devido ao perfil psíquico e idade destes pacientes, a adesão é muito ruim. O Aparelho Intra Oral (AIO) pode ser considerado uma ótima opção.

Em suma, a SRVAS é uma condição tratável, um distúrbio de alta prevalência que pode estar associado a sintomas diurnos incapacitantes.

Caso você se identifique com esta condição, consulte um médico especializado em Medicina do Sono e obtenha uma avaliação aprofundada.

Referência:

Luciana Palombini, Dalva Poyares, Christian Guilleminault
“Síndrome da Resistência da Via Aérea Superior (SRVAS)”
Medicina e Biologia do Sono, First Edition, 2008, Pages:293-297